Hipotensão ortostática: quando a tensão baixa ao levantar-se

20/07/2026Cuidados e assistência

A hipotensão ortostática (HO) é uma situação frequente em pessoas idosas, embora possa ser perigosa.

É definida como a descida brusca da tensão arterial quando a pessoa se põe de pé, sendo também conhecida como hipotensão postural ou “posicional”.

Quando nos levantamos, após estarmos sentados ou deitados, o sangue desce rapidamente em direção às pernas. Em pessoas idosas, esta ação pode causar a queda rápida da pressão sanguínea, desencadeando tonturas, visão turva ou fraqueza.

A maioria considera que a hipotensão ortostática é algo sem importância. Tudo muda quando aparece mais frequentemente, cada vez que a pessoa idosa se levanta da cadeira, da cama ou da sanita. Ou pior ainda, quando desencadeia quedas ou fraturas em idades avançadas.

Porque surgem tonturas ao levantar-se?

Em condições normais, quando nos pomos de pé, a gravidade dirige muito rapidamente o sangue em direção ao abdómen e às pernas. Isto ativa um sistema de sensores (barorrecetores) nas paredes dos vasos sanguíneos que enviam sinais ao sistema nervoso simpático.

O corpo responde contraindo os vasos, acelerando os batimentos cardíacos e mantendo a estabilidade do fluxo de oxigénio no cérebro. O problema é que, com o avançar da idade, este sistema de compensação torna-se mais lento e menos eficiente.

A Sociedade Portuguesa de Hipertensão explica assim as razões da hipotensão ortostática: ao envelhecer, as artérias perdem elasticidade e os barorrecetores são menos sensíveis.

O resultado é um atraso na resposta circulatória: o sangue demora mais tempo a subir e a pressão cerebral baixa temporariamente, surgindo as tonturas ou a fraqueza associadas à HO.

Sinais de hipotensão ortostática nos idosos

Os sintomas manifestam-se habitualmente nos primeiros segundos ou minutos após a pessoa se colocar de pé. Embora possa ser assintomática no dia a dia, as crises manifestam-se através de:

  • Tonturas e vertigens: instabilidade ou sensação de que tudo anda à roda.
  • Visão turva ou “escura”: perda temporária da nitidez visual.
  • Fraqueza súbita: sensação de que as pernas estão sem forças.
  • Confusão ou lentidão cognitiva: dificuldade passageira de concentração (mais acentuada na demência).
  • Síncope: desmaio ou perda de consciência nos casos mais graves.

Principais causas da queda de tensão

A queda de tensão ao levantar-se pode ter várias origens. As mais comuns nos idosos são:

Polimedicação: anti-hipertensores, diuréticos ou antidepressivos afetam a capacidade de contração das artérias.

Desidratação: reduz o volume de sangue circulante.

Imobilidade prolongada: os idosos que passam muitos dias acamados perdem o tónus vascular e a capacidade de adaptação ortostática. ( adaptação à posição de pé)

Doenças neurológicas: patologias que afetam o sistema nervoso autónomo, como a Doença de Parkinson, enfraquecem os mecanismos de regulação da pressão arterial.

Doenças cardiovasculares e metabólicas: condições como hipertensão arterial, diabetes ou insuficiência cardíaca ou venosa agravam os riscos da HO.

Hipotensão depois das refeições: um risco frequente

A hipotensão pós-prandial é uma variante muito específica da hipotensão ortostática nas pessoas idosas. Ocorre uma a duas horas após comer, porque o organismo desvia o fluxo sanguíneo para o estômago e intestinos, falhando a compensação noutras zonas.

O risco duplica se a refeição for abundante ou rica em hidratos de carbono de absorção rápida (massa, arroz ou pão branco).

Como confirmar se é hipotensão ortostática?

A Sociedade Portuguesa de Hipertensão e a Direção-Geral da Saúde (DGS) recomendam medir tanto o pulso como os valores de tensão arterial nos idosos. Este protocolo deve ser feito em dois momentos distintos:

  1. Com o idoso deitado de costas durante 5 minutos.
  2. No decurso dos primeiros 3 minutos após o idoso se colocar de pé.

O diagnóstico de hipotensão ortostática confirma-se se houver uma queda da tensão arterial igual ou superior a 20 mmHg na máxima (sistólica) ou 10 mmHg na mínima (diastólica).

Cuidados para prevenir quedas e novos episódios

A abordagem desta condição foca-se na prevenção e na alteração de hábitos diários, reduzindo o impacto dos sintomas no quotidiano:

Levantar por fases: recomende ao idoso sentar-se na borda da cama um a dois minutos antes de se pôr de pé.

Hidratação fracionada: incentive o idoso a beber pequenos goles de água ao longo do dia. Isto irá ajudá-lo a manter estabilizado o seu volume de sangue.

Refeições mais pequenas e frequentes: evite os almoços ou jantares pesados para mitigar a hipotensão pós-prandial.

Evitar água muito quente: os banhos quentes prolongados causam vasodilatação e quebras de tensão.

Exercício físico adaptado: atividades de baixo impacto, como caminhadas ou hidroginástica, ajudam a fortalecer os músculos das pernas e a reforçar o bombeamento sanguíneo.

A Sociedade Internacional de Parkinson apresenta outras sugestões. Caso sinta os sintomas de queda de tensão, o idoso deve sentar-se ou deitar-se imediatamente. Podem também aplicar-se manobras físicas de compressão instantânea, tais como: cruzar as pernas, fechar os punhos com força, elevar os dedos dos pés, inclinar o corpo para a frente (peito aos joelhos) ou deitar-se com as pernas elevadas.

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