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A hipotensão ortostática (HO) é uma situação frequente em pessoas idosas, embora possa ser perigosa.
É definida como a descida brusca da tensão arterial quando a pessoa se põe de pé, sendo também conhecida como hipotensão postural ou “posicional”.
Quando nos levantamos, após estarmos sentados ou deitados, o sangue desce rapidamente em direção às pernas. Em pessoas idosas, esta ação pode causar a queda rápida da pressão sanguínea, desencadeando tonturas, visão turva ou fraqueza.
A maioria considera que a hipotensão ortostática é algo sem importância. Tudo muda quando aparece mais frequentemente, cada vez que a pessoa idosa se levanta da cadeira, da cama ou da sanita. Ou pior ainda, quando desencadeia quedas ou fraturas em idades avançadas.
Tabela de Conteúdos
Em condições normais, quando nos pomos de pé, a gravidade dirige muito rapidamente o sangue em direção ao abdómen e às pernas. Isto ativa um sistema de sensores (barorrecetores) nas paredes dos vasos sanguíneos que enviam sinais ao sistema nervoso simpático.
O corpo responde contraindo os vasos, acelerando os batimentos cardíacos e mantendo a estabilidade do fluxo de oxigénio no cérebro. O problema é que, com o avançar da idade, este sistema de compensação torna-se mais lento e menos eficiente.
A Sociedade Portuguesa de Hipertensão explica assim as razões da hipotensão ortostática: ao envelhecer, as artérias perdem elasticidade e os barorrecetores são menos sensíveis.
O resultado é um atraso na resposta circulatória: o sangue demora mais tempo a subir e a pressão cerebral baixa temporariamente, surgindo as tonturas ou a fraqueza associadas à HO.
Os sintomas manifestam-se habitualmente nos primeiros segundos ou minutos após a pessoa se colocar de pé. Embora possa ser assintomática no dia a dia, as crises manifestam-se através de:
A queda de tensão ao levantar-se pode ter várias origens. As mais comuns nos idosos são:
Polimedicação: anti-hipertensores, diuréticos ou antidepressivos afetam a capacidade de contração das artérias.
Desidratação: reduz o volume de sangue circulante.
Imobilidade prolongada: os idosos que passam muitos dias acamados perdem o tónus vascular e a capacidade de adaptação ortostática. ( adaptação à posição de pé)
Doenças neurológicas: patologias que afetam o sistema nervoso autónomo, como a Doença de Parkinson, enfraquecem os mecanismos de regulação da pressão arterial.
Doenças cardiovasculares e metabólicas: condições como hipertensão arterial, diabetes ou insuficiência cardíaca ou venosa agravam os riscos da HO.
A hipotensão pós-prandial é uma variante muito específica da hipotensão ortostática nas pessoas idosas. Ocorre uma a duas horas após comer, porque o organismo desvia o fluxo sanguíneo para o estômago e intestinos, falhando a compensação noutras zonas.
O risco duplica se a refeição for abundante ou rica em hidratos de carbono de absorção rápida (massa, arroz ou pão branco).
A Sociedade Portuguesa de Hipertensão e a Direção-Geral da Saúde (DGS) recomendam medir tanto o pulso como os valores de tensão arterial nos idosos. Este protocolo deve ser feito em dois momentos distintos:
O diagnóstico de hipotensão ortostática confirma-se se houver uma queda da tensão arterial igual ou superior a 20 mmHg na máxima (sistólica) ou 10 mmHg na mínima (diastólica).
A abordagem desta condição foca-se na prevenção e na alteração de hábitos diários, reduzindo o impacto dos sintomas no quotidiano:
Levantar por fases: recomende ao idoso sentar-se na borda da cama um a dois minutos antes de se pôr de pé.
Hidratação fracionada: incentive o idoso a beber pequenos goles de água ao longo do dia. Isto irá ajudá-lo a manter estabilizado o seu volume de sangue.
Refeições mais pequenas e frequentes: evite os almoços ou jantares pesados para mitigar a hipotensão pós-prandial.
Evitar água muito quente: os banhos quentes prolongados causam vasodilatação e quebras de tensão.
Exercício físico adaptado: atividades de baixo impacto, como caminhadas ou hidroginástica, ajudam a fortalecer os músculos das pernas e a reforçar o bombeamento sanguíneo.
A Sociedade Internacional de Parkinson apresenta outras sugestões. Caso sinta os sintomas de queda de tensão, o idoso deve sentar-se ou deitar-se imediatamente. Podem também aplicar-se manobras físicas de compressão instantânea, tais como: cruzar as pernas, fechar os punhos com força, elevar os dedos dos pés, inclinar o corpo para a frente (peito aos joelhos) ou deitar-se com as pernas elevadas.
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