Síndrome do pôr do sol: O que é, sintomas e como tratar

17/06/2026Conselhos de saúde

Entenda a síndrome do pôr do sol em idosos. Descubra as causas, sintomas e dicas práticas para ajudar a sua família a lidar com este desafio. Saiba mais aqui!

Síndrome do Pôr do Sol: o que é e como se trata

A síndrome do pôr do sol é um fenómeno de agitação, confusão ou angústia manifestado por pessoas com demência, especialmente em idosos com Alzheimer. É também denominada “sundowning” ou síndrome do ocaso, ocorrendo geralmente entre o final da tarde e o início da noite.

Na emeis, queremos ajudá-lo a compreender o que está por trás deste comportamento para oferecer o apoio adequado ao seu familiar e reduzir o stresse diário de quem cuida.

O que é a síndrome do pôr do sol?

Segundo a Alzheimer’s Association, a síndrome do pôr do sol ou entardecer consiste em alterações comportamentais que se acentuam ao fim do dia. Pode ocorrer em qualquer fase da demência, embora seja mais frequente nas etapas intermédia e avançada.

As pessoas podem mostrar-se mais inquietas, irritáveis ou desorientadas quando a luz natural diminui, experienciando, por vezes, alucinações, agressividade e problemas em conciliar o sono.

Como esta síndrome afeta os idosos?

Quando a luz do dia baixa, o cérebro pode ter dificuldade em interpretar as transições horárias, manifestando-se por meio de:

Confusão acrescida: a pessoa idosa pode não reconhecer a sua casa ou sentir necessidade de ir “trabalhar” ou “procurar as crianças”.

Agitação e ansiedade: a pessoa pode tentar fugir ou sair a caminhar sem rumo; expor-se a riscos de quedas e maior stresse, ou demonstrar medo e pânico noturno.

Sensação de ameaça: as sombras projetadas na parede, os reflexos ou ruídos podem ser interpretados como perigos reais.

Desequilíbrio dos ciclos de sono e vigília: os despertares frequentes e o sono de má qualidade costumam ser os efeitos mais notórios.

Isolamento social: a síndrome pode gerar a incapacidade da pessoa idosa para realizar atividades vespertinas.

Estas alterações produzem um grande desgaste físico e emocional, tanto na pessoa idosa como nos seus familiares e cuidadores.

Possíveis causas da síndrome do pôr do sol em idosos

Embora as causas exatas não estejam totalmente estabelecidas, estudos atribuem o fenómeno a uma mistura de fatores neurobiológicos e externos.

Entre estas causas encontram-se degeneração cerebral, desajustes na forma de processar a luz na retina e redução dos níveis de melatonina no líquido cefalorraquidiano das pessoas com Alzheimer.

Alguns fatores estão relacionados com:

Baixa exposição à luz natural e alterações do ritmo circadiano: os danos no cérebro afetam a capacidade de distinguir o dia da noite.

Necessidades não satisfeitas: dores não comunicadas, fome, sede ou mal-estar urinário podem manifestar-se como agressividade ou irritabilidade.

Fadiga acumulada: o esforço cognitivo ao longo do dia exaure a pessoa com demência.

Ambientes ruidosos ou confusos: o excesso de estímulos pode desencadear agitação.

Alterações sensoriais: a perda de visão ou audição aumenta a sensação de insegurança.

Medicação: alguns fármacos podem aumentar a confusão ao final do dia.

Sintomas da síndrome do pôr do sol

Os sintomas variam em intensidade, incluindo:

  • Irritabilidade, impaciência ou inquietação que cresce quando o sol se põe.
  • Aumento da ansiedade, mudanças de humor e medo súbito.
  • Deambulação sem objetivo ou manipulação repetitiva de objetos.
  • Dificuldade da pessoa idosa em seguir instruções simples ou em manter-se sentada para comer, ou ver televisão.
  • Paranoia, alucinações ou agressividade verbal e física.
  • Dificuldade em adormecer ou em manter o sono.

Como se pode tratar a síndrome do pôr do sol em idosos?

As recomendações da Associação Alzheimer Portugal e do National Institute on Aging (NIA) privilegiam diretrizes não farmacológicas, focando no controlo dos gatilhos de stresse.

O uso de melatonina para regular o ciclo sono-vigília ou medicação específica para a ansiedade deve ser reservado para situações de risco e sempre sob rigorosa monitorização médica para evitar quedas ou sonolência excessiva.

Como podem as famílias ajudar a superar a síndrome do pôr do sol?

Se é cuidador ou familiar de uma pessoa com demência, ponha em prática estas recomendações nos cuidados diários:

Proporcione ambientes seguros, acolhedores e sem surpresas ao final do dia.

Aumente a exposição à luz natural durante a manhã. Faça passeios curtos ao ar livre e abra as janelas.

Mantenha a rotina de refeições, higiene e descanso. Os jantares devem ser ligeiros e de fácil digestão.

Minimize os gatilhos ambientais ao final da tarde. Evite o som alto da música ou da televisão, visitas ou tarefas complexas.

Promova atividades tranquilas antes do anoitecer, como ouvir música suave, ver fotografias ou ler.

Evite que o seu familiar faça sestas longas ou que beba café ou chá com cafeína ao entardecer.

Garanta o conforto físico. Esteja atento ao tratamento da dor, obstipação, infeções urinárias ou mal-estar da pessoa idosa.

Feche as cortinas antes de escurecer (para evitar reflexos) e coloque luzes de presença ou luzes noturnas durante a noite.

Se tiver dúvidas sobre como agir perante a síndrome do pôr do sol, procure apoio médico e de grupos especializados. Lembre-se de que este comportamento não é voluntário; a empatia e a paciência são fundamentais para a qualidade de vida do idoso.


Fontes consultadas:

dispneia
23/06/2026
Cuidados e assistência
Dispneia significado: causas e cuidados a ter
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