Apetite em idosos: ajuda e conselhos para lidar com a falta de apetite

13/02/2026Cuidados e assistência

Sentar-se à mesa pode ser um momento prazeroso, mas para muitas famílias é fonte de angústia. A falta de apetite em idosos, também denominada hiporexia ou anorexia do envelhecimento, é uma situação mais frequente do que se imagina.

Segundo a Direção-Geral da Saúde (DGS) e a Sociedade Portuguesa de Geriatria e Gerontologia (SPGG), as pessoas de idade avançada podem sentir-se menos atraídas pela comida devido a fatores biológicos, e não por vontade própria

Na emeis, sabemos que a falta de apetite compromete a autonomia entre outras complicações. Assim, partilhamos estratégias para reverter este quadro.

O que é a falta de apetite em idosos e por que razão acontece?

A falta de apetite é a redução persistente do desejo de comer, afetando 30% dos idosos em casa e até 75% dos hospitalizados. Resulta de um desequilíbrio entre as necessidades nutricionais e os sinais de fome.

Mudanças naturais do envelhecimento que afetam o apetite

Com o avançar da idade, o metabolismo torna-se mais lento e o corpo requer menos calorias. Contudo, existem mudanças biológicas específicas que complicam a situação:

Alterações hormonais

Ocorre uma diminuição da grelina (hormona da fome) e um aumento da sensibilidade à colecistoquinina, que induz a saciedade.

Esvaziamento gástrico lento

O estômago processa os alimentos mais devagar, mantendo o idoso saciado por períodos mais longos.

Declínio sensorial

A perda de olfato e paladar torna a comida menos agradável.

Diferença entre perda de apetite ocasional e problema persistente

É normal que um idoso coma menos num dia de calor ou em momentos de stress. O problema surge quando a falta de apetite em idosos é persistente.

Deve vigiar se a falta de apetite dura mais de uma semana ou se é acompanhada de perda de peso involuntária, pois isto indica um risco elevado de malnutrição e fragilidade.

Principais causas da falta de apetite em idosos

Para além da biologia, existem outros fatores que atuam como “ladrões” da fome:

  1. Polifarmácia: o uso de múltiplos medicamentos (como antidepressivos ou anti-hipertensores) pode alterar o sabor dos alimentos ou causar náuseas.
  2. Saúde oral: próteses mal ajustadas, falta de dentes ou secura da boca (xerostomia) tornam a mastigação dolorosa.
  3. Fatores psicossociais: solidão e isolamento social. Muitos idosos perdem o interesse na comida quando comem sozinhos.
  4. Desequilíbrios metabólicos: a apatia pode ser, por exemplo, sinal de hiponatrémia em idosos (baixo nível de sódio), que se manifesta por cansaço e redução do apetite.

Como a falta de apetite pode afetar a saúde do idoso

A falta de apetite não tratada gera um efeito dominó negativo:

Desnutrição: afeta mais de metade dos idosos com hiporexia.

Sarcopenia: a perda de massa muscular aumenta o risco de quedas e fraturas.

Fragilidade: o sistema imunitário debilita-se, tornando o corpo menos resistente a infeções.

Deterioração cognitiva: em casos de Alzheimer, o doente pode esquecer-se de como usar os talheres ou não reconhecer os alimentos, agravando a desnutrição.

Estratégias práticas para estimular o apetite em idosos

Não force o idoso a comer; procure despertar o seu interesse nutricional com estas dicas:

Tornar a comida mais atrativa em sabor e textura

Fracionar as refeições: ofereça 5 a 6 pequenas porções diárias em vez de três pratos volumosos.

Enriquecimento dietético: adicione azeite, ovo, molhos (natas, bechamel), iogurte grego ou queijo a purés para elevar as calorias sem aumentar o volume.

Suplementos Nutricionais Orais: Use suplementos hipercalóricos e hiperproteicos, em baixo volume, preferencialmente entre refeições para não substituir a comida. Devem ser personalizados (sabor, textura) e integrados num plano nutricional.

Adaptar texturas: use batidos, papas de aveia ou carnes picadas se houver dificuldade em mastigar.

Comer com as mãos (Finger Food): ofereça alimentos em pedaços fáceis de segurar, como croquetes caseiros ou tiras de frango. Isto devolve autonomia ao idoso.

Moldes de silicone: use formas que imitem alimentos reais em dietas pastosas para as tornar mais atrativas.

Uso de temperos naturais para realçar o gosto

A Associação Portuguesa de Nutrição recomenda substituir o sal por ervas aromáticas e especiarias:

Coentros, salsa, alho e cebola: a base do refogado português que estimula o olfato e ajuda a abrir o apetite.

Alecrim e tomilho: ideais para carnes brancas.

Canela: excelente para dar sabor a frutas assadas ou lacticínios, sem adicionar açúcar.

Cítricos: umas gotas de limão ou laranja em peixes ou carnes podem realçar os sabores.

Espetadas: uma dica curiosa é usar os caules mais grossos do alecrim como espetos para a carne. Infundem um aroma intenso.

Ervas frescas: adicione sempre as ervas aromáticas frescas apenas no momento de servir.

Apresentação dos pratos e ambiente durante as refeições

Use pratos coloridos que contrastem com a comida para ajudar idosos com baixa visão.

A companhia é o fator mais importante: transforme a refeição num evento social. Um ambiente com música suave e sem a distração ruidosa da televisão ajuda na concentração e no prazer de comer.

Cuidar do apetite é uma forma de demonstrar afeto. Com pequenos ajustes, empatia e criatividade, é possível combater a falta de apetite em idosos e fazer da hora da refeição o melhor momento do dia.

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