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O isolamento social nos idosos é uma ameaça silenciosa e, muitas vezes, ignorada. Segundo a Organização Mundial da Saúde, um quarto dos idosos sofre deste problema e o seu impacto é tão preocupante como fumar vários cigarros por dia ou levar uma vida sedentária. Ao contrário do que alguns possam pensar, isolar-se não é uma escolha em que a pessoa idosa opta por se afastar para “levar uma existência mais tranquila”. A realidade é que sentir-se só e isolar-se debilita a saúde mental e aumenta o risco de morte prematura em 32% dos casos (OMS). Se cuida de um familiar idoso, ou se está a atravessar esta etapa, continue a ler. Compreender este problema é o primeiro passo para o enfrentar.
Tabela de Conteúdos
O isolamento social define-se pela ausência de vínculos e pela falta de participação em atividades ou conversas quotidianas. É importante não o confundir com a solitude: estar sozinho para descansar ou descontrair é uma escolha, enquanto o isolamento é uma carência de contacto real e significativo que compromete a integração da pessoa na sociedade. Uma pessoa idosa que sofre de isolamento social está longe do contacto com familiares, amigos ou outros indivíduos. Podem passar dias, e inclusive semanas, sem que fale com ninguém.
Embora se usem como sinónimos, a verdade é que são conceitos diferentes. A solidão é um sentimento subjetivo; ou seja, é a perceção de estar sozinho ou de não ter a companhia que se deseja. Pode-se estar rodeado de gente e, ainda assim, sentir solidão. Por outro lado, o isolamento social é a falta objetiva de interações com outras pessoas. Pode ser medido pelo tamanho da rede social de um indivíduo e pela frequência dos seus contactos. Enquanto a solidão é algo que se sente; o isolamento é algo que se pode observar. Ambos são perigosos, mas requerem abordagens diferentes: o isolamento combate-se com presença e atividades; a solidão, com ligações emocionais de qualidade.
O bem-estar na terceira idade vai muito além de exames médicos ou comprimidos para a tensão; o equilíbrio mental é, na verdade, o pilar fundamental de uma vida plena. Infelizmente, estima-se que 14% dos idosos com mais de 70 anos sofram de perturbações como a depressão ou a ansiedade, quadros que têm no isolamento social um dos seus principais gatilhos. Além disso, existe um estigma social que faz com que muitas pessoas idosas não procurem ajuda, pensando que a tristeza ou o desânimo são “coisas da idade”, quando na verdade são problemas que podem e devem ser tratados para melhorar a sua qualidade de vida.
O isolamento social não costuma acontecer de um dia para o outro; é geralmente o resultado de uma combinação de fatores que se acumulam com o passar do tempo:
Não é apenas uma questão de “estar triste”. O isolamento social ataca o corpo e a mente de forma agressiva. Os riscos para a saúde são reais:
A boa notícia é que o isolamento social pode ser revertido com estratégias que fomentem a ligação e o sentido de pertença. A OMS e diversas organizações de saúde recomendam o seguinte:
Grupos comunitários
Participar em clubes de leitura, jardinagem, xadrez ou artes manuais devolve o idoso à vida social ativa.
Programas intergeneracionais
O contacto com jovens voluntários ou estudantes traz vitalidade e novas perspetivas a ambas as gerações.
Expressão artística
Atividades como a música e a pintura, além de entreterem, promovem o estímulo cognitivo e favorecem a qualidade do sono.
Atividade física
Caminhadas em grupo, tai chi ou ioga adaptado combinam saúde física com convívio.
Terapia e presença familiar
A terapia cognitivo-comportamental ajuda a quebrar pensamentos negativos. As visitas e chamadas regulares da família são fundamentais, lembrando que viver na mesma casa não garante ligação emocional se não houver tempo de qualidade partilhado.
O isolamento social é tratável e prevenível. Reconhecê-lo a tempo e agir sem estigma pode mudar e prolongar a vida das pessoas que mais amamos.
Referências: