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Sentar-se à mesa pode ser um momento prazeroso, mas para muitas famílias é fonte de angústia. A falta de apetite em idosos, também denominada hiporexia ou anorexia do envelhecimento, é uma situação mais frequente do que se imagina.
Segundo a Direção-Geral da Saúde (DGS) e a Sociedade Portuguesa de Geriatria e Gerontologia (SPGG), as pessoas de idade avançada podem sentir-se menos atraídas pela comida devido a fatores biológicos, e não por vontade própria
Na emeis, sabemos que a falta de apetite compromete a autonomia entre outras complicações. Assim, partilhamos estratégias para reverter este quadro.
Tabela de Conteúdos
A falta de apetite é a redução persistente do desejo de comer, afetando 30% dos idosos em casa e até 75% dos hospitalizados. Resulta de um desequilíbrio entre as necessidades nutricionais e os sinais de fome.
Com o avançar da idade, o metabolismo torna-se mais lento e o corpo requer menos calorias. Contudo, existem mudanças biológicas específicas que complicam a situação:
Alterações hormonais
Ocorre uma diminuição da grelina (hormona da fome) e um aumento da sensibilidade à colecistoquinina, que induz a saciedade.
Esvaziamento gástrico lento
O estômago processa os alimentos mais devagar, mantendo o idoso saciado por períodos mais longos.
Declínio sensorial
A perda de olfato e paladar torna a comida menos agradável.
É normal que um idoso coma menos num dia de calor ou em momentos de stress. O problema surge quando a falta de apetite em idosos é persistente.
Deve vigiar se a falta de apetite dura mais de uma semana ou se é acompanhada de perda de peso involuntária, pois isto indica um risco elevado de malnutrição e fragilidade.
Para além da biologia, existem outros fatores que atuam como “ladrões” da fome:
A falta de apetite não tratada gera um efeito dominó negativo:
Desnutrição: afeta mais de metade dos idosos com hiporexia.
Sarcopenia: a perda de massa muscular aumenta o risco de quedas e fraturas.
Fragilidade: o sistema imunitário debilita-se, tornando o corpo menos resistente a infeções.
Deterioração cognitiva: em casos de Alzheimer, o doente pode esquecer-se de como usar os talheres ou não reconhecer os alimentos, agravando a desnutrição.
Não force o idoso a comer; procure despertar o seu interesse nutricional com estas dicas:
Fracionar as refeições: ofereça 5 a 6 pequenas porções diárias em vez de três pratos volumosos.
Enriquecimento dietético: adicione azeite, ovo, molhos (natas, bechamel), iogurte grego ou queijo a purés para elevar as calorias sem aumentar o volume.
Suplementos Nutricionais Orais: Use suplementos hipercalóricos e hiperproteicos, em baixo volume, preferencialmente entre refeições para não substituir a comida. Devem ser personalizados (sabor, textura) e integrados num plano nutricional.
Adaptar texturas: use batidos, papas de aveia ou carnes picadas se houver dificuldade em mastigar.
Comer com as mãos (Finger Food): ofereça alimentos em pedaços fáceis de segurar, como croquetes caseiros ou tiras de frango. Isto devolve autonomia ao idoso.
Moldes de silicone: use formas que imitem alimentos reais em dietas pastosas para as tornar mais atrativas.
A Associação Portuguesa de Nutrição recomenda substituir o sal por ervas aromáticas e especiarias:
Coentros, salsa, alho e cebola: a base do refogado português que estimula o olfato e ajuda a abrir o apetite.
Alecrim e tomilho: ideais para carnes brancas.
Canela: excelente para dar sabor a frutas assadas ou lacticínios, sem adicionar açúcar.
Cítricos: umas gotas de limão ou laranja em peixes ou carnes podem realçar os sabores.
Espetadas: uma dica curiosa é usar os caules mais grossos do alecrim como espetos para a carne. Infundem um aroma intenso.
Ervas frescas: adicione sempre as ervas aromáticas frescas apenas no momento de servir.
Use pratos coloridos que contrastem com a comida para ajudar idosos com baixa visão.
A companhia é o fator mais importante: transforme a refeição num evento social. Um ambiente com música suave e sem a distração ruidosa da televisão ajuda na concentração e no prazer de comer.
Cuidar do apetite é uma forma de demonstrar afeto. Com pequenos ajustes, empatia e criatividade, é possível combater a falta de apetite em idosos e fazer da hora da refeição o melhor momento do dia.
Para saber mais: