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À medida que envelhecemos, tarefas anteriormente rotineiras, como mudar de roupa, tomar duche ou realizar a higiene íntima, podem tornar-se complexas e causadoras de stress.
O desafio aumenta quando, enquanto familiares ou cuidadores, temos de transmitir tranquilidade e segurança a um idoso pouco colaborante.
Garantir uma correta higiene dos idosos é mais do que uma medida sanitária: é fundamental para prevenir infeções graves. Além disso, é um ato chave para reforçar a autoestima do seu familiar.
Proporcionar conforto emocional na hora de vestir ou tomar duche é uma tarefa facilitada se seguirmos o protocolo adequado.
Se tem dúvidas sobre a frequência do banho ou como agir em caso de recusa, partilhamos recomendações e boas práticas para que este momento seja o mais seguro e tranquilo possível.
Tabela de Conteúdos
Antes de iniciar a higiene, é crucial preparar o espaço e ter à mão tudo o que será necessário. Para além disso, deve lembrar-se que o frio e a insegurança são os dois maiores inimigos do banho nos idosos.
Para evitar acidentes e desconforto, cumpra sempre estes três passos prévios:
A casa de banho deve estar a uma temperatura agradável antes de se despir. A pele dos idosos é mais fina, o que leva a uma perda rápida de calor corporal.
A utilização de tapetes antiderrapantes (dentro e fora do duche) e de barras de apoio é obrigatória. As quedas na casa de banho são a principal causa de acidentes domésticos nesta etapa da vida.
Independentemente de existir ou não deterioração cognitiva, mantenha sempre a porta fechada para evitar interrupções que incomodem o idoso. Se estiver a prestar assistência, cubra as partes do corpo que não estão a ser lavadas no momento para preservar a sua dignidade.
Um erro comum entre familiares e cuidadores é tentar fazer tudo pelo idoso para acelerar o processo. A Ordem dos Enfermeiros desaconselha totalmente esta prática.
Sempre que possível, envolva o idoso no seu próprio cuidado. Por exemplo, entregar-lhe a esponja para lavar os braços, o peito ou a zona íntima dignifica o processo e dá-lhe espaço.
Este gesto simples é também um excelente exercício de estimulação cognitiva em idosos, ajudando a coordenar movimentos, reconhecer partes do corpo e trabalhar conexões neuronais vitais durante uma atividade quotidiana.
Os manuais de enfermagem geriátrica sugerem uma ordem específica para minimizar o risco de contaminação cruzada. Siga este padrão, que deve ser adaptado sempre que necessário (principalmente em pessoas com demência):
A higiene não termina ao fechar a torneira. Existem duas áreas críticas, frequentemente negligenciadas, que podem levar a hospitalizações.
A pele do idoso perde elasticidade e humidade (xerose). Após o banho, é crucial secar com pequenos toques suaves (sem esfregar) e não esquecer as “dobras” da pele (virilhas, axilas e sob o peito nas mulheres).
A humidade acumulada nestes locais provoca fungos e infeções (intertrigo). Recomenda-se a aplicação imediata de creme hidratante após a secagem para restaurar a barreira cutânea.
Uma boca mal higienizada pode alojar bactérias que, se aspiradas, podem desencadear pneumonia.
A regra de ouro é nunca realizar a higiene oral com o idoso totalmente deitado. Segundo as normas de segurança hospitalar, a pessoa deve estar sentada ou com a cabeceira elevada para evitar o risco de asfixia ou aspiração.
A resistência ao banho é frequente e pode ser desesperante para o cuidador, mas que não deve ser interpretado como “um ato de teimosia” ou “falta de asseio”.
Muitas vezes, o medo da água provoca desconforto, insegurança ou receio de cair. Para além disso, se não houver uma relação humanizada, com base na confiança, vai prejudicar a aceitação ao cuidado. A incapacidade de compreender o que está a acontecer podem ser sintomas associados à demência em idosos.
Nestes casos, a otimização da relação é a sua melhor ferramenta:
Manter a higiene dos idosos é um desafio diário, mas com as técnicas adequadas, pode tornar-se um ato de cuidado que reforça a saúde e a dignidade.
Lembre-se também de adaptar a casa de banho às necessidades do utilizador para garantir um espaço seguro.
Fontes principais consultadas:
Gobierno de Portugal. (s. f.). Manual do Cuidador. República Portuguesa. https://biblioteca.sns.gov.pt/wp-content/uploads/2018/01/Manual-do-Cuidadpr-Informal-de-Utentes-Dependentes.pdf
Governo dos Açores. (s. f.). Guia prático ilustrado do Cuidador. Vice-Presidência do Governo Regional. https://usism.azores.gov.pt/wp/?wpfb_dl=1