Alimentação entérica: o que é e para que é utilizada?

12/03/2026Nutrição

A alimentação entérica é um suporte essencial para quem não consegue alimentar‑se pela boca de forma segura ou suficiente. Esta forma de nutrição torna‑se uma aliada que previne a desnutrição, melhora a energia e contribui na recuperação do utente.

Para cuidadores e familiares, o procedimento pode despertar certas dúvidas, devido aos cuidados especiais para evitar complicações. No entanto, quando bem indicada e acompanhada, a nutrição por sonda oferece muitos benefícios e reduz os internamentos hospitalares prolongados.

Na emeis, mostrar-lhe-emos como a nutrição entérica pode ajudar na alimentação saudável em idosos com doenças neurológicas, dificuldades de deglutição (disfagia) ou em risco nutricional.

Conheça e siga as nossas recomendações!

O que é a alimentação entérica?

A alimentação entérica é um método seguro que fornece nutrientes e líquidos diretamente ao estômago ou intestino para a sua digestão natural e absorção. É realizada mediante dispositivos como sondas ou ostomias, sendo recomendada para pessoas que não conseguem comer o suficiente de forma voluntária.

Nesta forma de nutrição, utilizam-se fórmulas líquidas, completas e equilibradas, ricas em macronutrientes (proteínas, lípidos e hidratos de carbono) e micronutrientes (vitaminas e minerais).

A Direção-Geral da Saúde (DGS) orienta o seu uso quando a ingestão oral não cobre pelo menos 60% das necessidades energéticas e proteicas do doente durante vários dias.

Diferença entre alimentação normal e entérica

A principal diferença reside na via de administração. Enquanto a alimentação normal é fisiológica e feita por via oral, a nutrição entérica utiliza sondas para conduzir a fórmula líquida diretamente ao estômago ou ao intestino.

Embora o paciente não perceba sabores, texturas ou aromas, o organismo recebe os nutrientes exatos de que necessita. Esta precisão é fundamental para o suporte nutricional de idosos com doenças crónicas, fragilidade clínica ou necessidades específicas.

Para que serve a alimentação entérica?

Como medida de suporte nutricional, é ideal nas seguintes situações:

Garantir nutrientes em situações delicadas

Em doenças graves, infeções, cirurgias ou internamentos prolongados, o corpo consome mais energia do que o habitual. A alimentação entérica evita a perda de massa muscular, mantém o intestino ativo e contribui para reduzir infeções.

Apoio em doenças neurológicas e dificuldades de deglutição

Quando a deglutição deixa de ser segura (como em pessoas com AVC, Alzheimer, Parkinson ou ELA), comer pode transformar-se num risco. Nestes casos, a alimentação entérica pode reduzir o risco de pneumonia por aspiração, facilitar a administração de medicamentos e evitar engasgamentos frequentes.

Em demência avançada, a decisão deve ser ponderada, respeitando sempre o conforto da pessoa.

Recuperação após cirurgias ou internamentos

Após cirurgias do trato digestivo, cabeça ou pescoço, a sonda permite nutrir sem esforço e sem dor. Ajuda a preservar a força muscular, acelera a cicatrização e facilita a reabilitação, permitindo que muitos idosos recuperem vitalidade e regressem ao seu lar.

Tipos de sonda na alimentação entérica

Cada tipo de sonda tem um propósito específico, dependendo da condição clínica e do tempo previsto de utilização:

  • Nasogástrica (SNG): passa pelo nariz até ao estômago; é utilizada para períodos de curta duração.
  • Nasojejunal (SNJ): chega ao intestino; é indicada quando existe risco de aspiração.
  • Gastrostomia (PEG): colocada diretamente no estômago; é ideal para uso prolongado e mais confortável no dia a dia.
  • Jejunostomia: permite o acesso direto ao intestino delgado quando o estômago não pode ser utilizado.
  • Gastrojejunal (GJ): permite a alimentação no intestino e o alívio gástrico em simultâneo.

Benefícios da alimentação entérica

Conheça algumas das vantagens para idosos e doentes crónicos:

Prevenção da desnutrição

A desnutrição enfraquece os músculos, causa apatia, aumenta o risco de infeções e atrasa a recuperação. A nutrição entérica ajuda a corrigir os défices nutricionais, preservar a massa muscular, fortalecer o sistema imunitário e garantir a hidratação.

Com acompanhamento profissional, os resultados são mais eficazes e as complicações diminuem drasticamente.

Melhor qualidade de vida e energia

A nutrição entérica pode devolver a energia e a vitalidade ao paciente, reduzindo a ansiedade relacionada com as refeições.

Riscos e cuidados importantes

Embora seja segura, exige atenção diária do cuidador para prevenir riscos.

Possíveis complicações e sinais de alerta

As complicações comuns incluem diarreia, vómitos, abdómen distendido, obstrução da sonda ou infeções no estoma. Contacte a equipa de saúde imediatamente se notar: febre, saída da sonda, dificuldade respiratória ou pus no local da inserção.

Higiene e manuseamento correto

Para minimizar os riscos associados, é fundamental seguir rigorosamente os protocolos de segurança:

  • Mantenha a cabeceira da cama elevada pelo menos a 45 graus durante a administração e até 60 minutos após.
  • A limpeza da sonda deve ser feita com água filtrada ou fervida, garantindo que nenhum agente patogénico entre no sistema digestivo.
  • A higiene oral deve ser realizada diariamente, mesmo sem alimentação oral. As bactérias presentes na orofaringe podem originar infeções respiratórias graves.
  • É essencial regular a velocidade de infusão para evitar o risco de aspiração e avaliar diariamente a fixação da sonda para assegurar que esta não se deslocou. Mantenha a pele em redor do dispositivo sempre limpa.

A formação contínua das equipas de saúde e cuidadores domiciliários é crucial. Na alimentação entérica, o manuseamento correto reduz a taxa de complicações de 68,89% para apenas 31,11%.

Fontes:

alimentaçao enterica
12/03/2026
Nutrição
Alimentação entérica: o que é e para que é utilizada?
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