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A psicogeriatria é uma especialidade de que se fala pouco, embora este cenário esteja a mudar rapidamente.
Cada vez mais famílias e cuidadores assumem um papel ativo em tudo o que concerne à saúde mental dos seus idosos. É aqui que a psicogeriatria acompanha de perto todo este processo.
E como o faz? Dando resposta a realidades que, anteriormente, não eram adequadamente abordadas na velhice.
Tabela de Conteúdos
A psicogeriatria é um ramo da psiquiatria que alia conhecimentos da psicologia e da geriatria. A Organização Mundial da Saúde (OMS) define-a como uma especialidade psiquiátrica que visa prevenir, diagnosticar e tratar perturbações mentais e emocionais em pessoas com mais de 65 anos.
Também designada por psiquiatria geriátrica ou gerontopsiquiatria, foi reconhecida em 1989 pelo Royal College of Psychiatrists de Londres. A partir de então, instituições como o National Institute of Mental Health (NIMH) dos Estados Unidos e a própria OMS desenvolveram programas específicos para a abordagem adequada da saúde mental na terceira idade.
Segundo a OMS, mais de 20% das pessoas com mais de 60 anos apresentam algum distúrbio mental ou neurológico, sendo os seguintes os mais frequentes:
Demência e declínio cognitivo
A demência é a perturbação neuropsiquiátrica mais prevalente na velhice. Provoca um declínio cognitivo progressivo, afetando a linguagem, a memória, a orientação e a capacidade do idoso para executar tarefas quotidianas. A doença de Alzheimer representa entre 60% e 70% dos casos.
Se o seu familiar começar a perder-se em caminhos que percorreu durante décadas ou fizer a mesma pergunta em menos de dez minutos, poderá estar a iniciar um processo de demência. É necessária uma avaliação especializada.
Depressão
A depressão é a perturbação psiquiátrica mais habitual após os 65 anos e, simultaneamente, a mais subdiagnosticada e subtratada. A OMS estima que 7% da população idosa sofra de depressão unipolar. Este tipo de perturbação caracteriza-se por:
Perturbações de ansiedade
A ansiedade afeta 4% da população idosa, embora o número real possa ser superior devido ao subdiagnóstico. Pode manifestar-se como:
Nos idosos com ansiedade, podem surgir sintomas físicos como desconforto gástrico, taquicardias e tonturas, sem uma causa orgânica evidente.
Psicose, distúrbios do sono e abuso de substâncias
A psicose na velhice pode manifestar-se através de episódios de alucinações ou delírios, resultantes da demência ou de forma independente. Outros problemas comuns são as dificuldades em conciliar o sono e o abuso de substâncias, como álcool e medicamentos.
As perturbações mentais ultrapassam o plano emocional, afetando diretamente a condição física, o ambiente familiar e a independência do idoso.
Recomenda-se uma avaliação especializada ao observar os seguintes sinais:
Perante estes sinais, consulte o médico de família ou o geriatra para que este possa encaminhar o doente para o especialista adequado.
Para reduzir riscos e melhorar a qualidade de vida, siga estes conselhos:
Mantenha atividade física regular
O exercício contribui para a saúde física, melhora o humor e as funções cognitivas. Recomendam-se, pelo menos, 150 minutos de atividade moderada por semana (caminhar, nadar, tai chi), com supervisão médica.
Estimule as capacidades cognitivas
Ler, fazer palavras cruzadas, aprender uma língua ou tocar um instrumento podem aumentar a reserva cognitiva e atrasar o aparecimento de sintomas de doenças neurodegenerativas como o Alzheimer.
Promova a participação social
Manter ligações sociais melhora consideravelmente a satisfação com a vida. Grupos comunitários, voluntariado ou visitas regulares da família são ferramentas preventivas poderosas.
Organize rotinas estáveis e ambientes seguros
O idadismo (discriminação pela idade) tem um impacto real na saúde mental. Promova ambientes que respeitem os direitos dos idosos e os protejam de maus-tratos.
Contrarie a solidão e procure apoio especializado
A psiquiatria geriátrica oferece equipas multidisciplinares (psiquiatras, psicólogos, enfermeiros, terapeutas ocupacionais) focadas em melhorar a qualidade de vida do doente e apoiar a família. Ao mesmo tempo, a psicogeriatria recorda-nos que o sofrimento mental na velhice não deve ser normalizado como algo “próprio da idade”.
Com o acompanhamento correto, os idosos podem desfrutar de uma vida plena e equilibrada.