Desidratação em idosos: como reconhecer e agir rápido

23/12/2025Conselhos de saúde Cuidados e assistência

A perda de água numa pessoa idosa nem sempre se manifesta com sede e isso é algo que, sem dúvida, pode complicar a prevenção da desidratação.

Se o seu familiar parece cansado, tem a pele seca e mostra menos vontade de se mover, precisa de estar atento. Os sintomas de desidratação nos idosos podem ser silenciosos e realmente perigosos.

Neste guia rápido, vamos ensiná-lo a tratar a “sede invisível” nos idosos e como evitar complicações no organismo.

Por que é que os idosos desidratam facilmente?

As pessoas mais velhas, tal como as crianças, podem desidratar muito rapidamente.

No caso dos bebés e crianças, a sua taxa metabólica elevada faz com que queimem energia e água mais depressa do que os adultos.

Os idosos, por sua vez, contam com uma menor reserva de água no organismo, devido à perda de massa muscular. Além disso, os seus rins costumam tornar-se menos eficientes a reter líquidos, acelerando a desidratação.

Outra causa comum está presente a nível cerebral. Nos idosos, o cérebro pode deixar de enviar sinais claros de sede (a partir do hipotálamo). Por esta razão, não devemos esperar que o idoso peça água. É importante fornecer-lhes hidratação regularmente, mesmo que não se queixem de sede ou não queiram beber nada.

Outras causas comuns de desidratação na terceira idade são a diabetes, a insuficiência renal, a medicação que aumenta a perda de líquidos (diuréticos) e o medo da incontinência.

Sintomas de desidratação em idosos: sinais de alerta

Os primeiros indícios de desidratação nos idosos costumam ser subtis e físicos:

  • Boca seca, lábios gretados e olhos secos.
  • Pele áspera na axila.
  • Olhos encovados e aparecimento de olheiras.
  • Urina escura e com cheiro mais intenso.
  • Quantidade de urina menos frequente.

A cor da urina é um detalhe fundamental. Se a urina se assemelha à cor de sumo de maçã concentrado, é preciso agir. Se for como uma cerveja clara, a hidratação é adequada.

Quando a desidratação avança, os sintomas são mais perigosos:

  • Os idosos podem mostrar-se confusos, desorientados ou mais irritáveis.
  • Podem apresentar taquicardia, respiração acelerada ou tensão arterial baixa.
  • A sonolência excessiva, as alterações de comportamento ou delirium (confusão aguda que pode parecer demência) podem ser outros sinais de alarme.

Consequências da desidratação em idosos para a saúde

A desidratação deve ser prevenida diariamente. A evidência científica indica que a desidratação duplica o risco de desenvolver demência a longo prazo e afeta funções críticas como a atenção sustentada.

Além disso, um idoso desidratado é mais propenso a quedas e fraturas. Manter o equilíbrio hídrico é, portanto, uma forma de proteger a sua autonomia física e mental.

Se quer potenciar a saúde cerebral do seu familiar idoso, combinar uma boa hidratação com exercícios mentais, como a estimulação cognitiva, será de grande ajuda para prevenir problemas maiores.

Prevenção da desidratação: dicas práticas para idosos

A rotina é a chave para prevenir os sintomas de desidratação nos idosos. Não basta dizer-lhes para beberem mais água. É imprescindível aplicar estratégias diárias:

Ofereça líquidos de forma sistemática

Não ofereça água apenas quando o idoso pede. Conforme a Direção-Geral da Saúde (DGS) e o SNS24, beber água é a principal forma de manter o corpo hidratado, com eletrólitos e minerais. Outras opções para uma hidratação adequada na velhice são:

  • Beber água com pedaços de fruta (água aromatizada), sem adicionar açúcar.
  • Tomar chá, infusões de ervas e sopas.
  • Ingerir leite e sumos naturais de fruta (sem açúcar).
  • Comer frutas e hortícolas ricos em água, como tomate, alface, pepino, courgette, melão, melancia.

Associe a ingestão de água a hábitos diários

Habitue o seu familiar idoso a beber um copo de água com cada toma de medicação ou no momento da sua higiene oral.

Vincule a socialização à hidratação

A “hora do chá” ou acompanhar uma atividade lúdica com infusões saudáveis é uma excelente forma de unir momentos agradáveis à ingestão de líquidos.

Preste maior atenção às refeições e lanches

As gelatinas, sopas leves, frutas ricas em água e os purés de legumes favorecem a hidratação. Além disso, são uma boa forma de ajudar os idosos com dificuldade em engolir (disfagia).

Varie as opções

Para os idosos que se cansam da água ou não a querem beber, adicione rodelas de fruta à água como lima, laranja ou maçã, para lhe dar sabor e torná-la mais atrativa.

Mantenha um jarro sempre visível

Coloque um jarro de água na mesa e ofereça um copo cada vez que o idoso tomar a sua medicação.

Se houver diarreia ou vómitos, reponha imediatamente os líquidos e eletrólitos perdidos com infusões, água fresca, sopas leves ou soros orais, e informe o médico ou outro profissional de saúde.

Quando procurar ajuda médica para desidratação em idosos

Se o idoso apresentar confusão, sonolência, taquicardia, pele fria ou dificuldade em beber, não hesite: procure cuidados de saúde.

Em casos graves, pode ser necessária a hidratação subcutânea (hipodermoclise), sempre sob prescrição médica. Esta técnica é eficaz e menos invasiva que a via intravenosa, sendo ideal para doentes geriátricos. Pode realizar-se inclusive no domicílio, sob supervisão da equipa de enfermagem.

 

Para saber mais:

SNS24 | Hidratação

Desidratação em pessoas idosas: ScienceDirect

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